Esse tempo
foi o suficiente?
Quanto tempo leva pra ajustar
As lágrimas num ombro
O corpo num abraço
O sorriso num olhar
Quanto tempo leva pra ajustar uma vida na outra?
Quanto tempo leva pra saber o tempo bastante?
(Quanto tempo não te vejo)
Esse tempo
foi o suficiente?
Quanto tempo leva pra ajustar
As lágrimas num ombro
O corpo num abraço
O sorriso num olhar
Quanto tempo leva pra ajustar uma vida na outra?
Quanto tempo leva pra saber o tempo bastante?
(Quanto tempo não te vejo)
Oh, Deus me ajude!
Acho que estou me apaixonando
Novamente (ou ainda mais)
Por ele
De manhã acordo
Escrevo de madrugada minhas juras virtuais
Releio tudo
Tomo uma dose de coragem de dia
Espero que encontre cama quente para os meus suspiros virtuais
De madrugada sonho
(te quero)
Dane-se a razão
tudo milimetricamente
Quadrado sem curva
Reto e sem corpo
Gosto de sentir
Razão serve pra trabalho
Pro amor é outra coisa
Sonhar
Suspirar
Saudade
Beijo
Mãos dadas
Teu sorriso
De madrugada desperto
Louca pra te achar em juras de amor virtuais.
Não encontrando respostas,
julgas não ecoarem em meu peito.
Tudo que vem daí encontra cama quente
Abrigo ansioso para teus ensaios poéticos
De madrugada espero…
Li no jornal:
“A maior frente fria do ano”
Mal sabem, fria é como ela está comigo
Pode ser a pior do século
Durando para sempre
Sábado ela deve passar
Todos estão torcendo
Escutei na rua:
“Nenhum carioca gosta de frio”
Concordo com ele
A vontade surge em ondas
Engloba-me dos pés à cabeça
E escorre…
Calmamente se esvai
Mas nunca completamente
A umidade não seca
São gotas de um amor que quer
Que quer ficar
Que quer fertilizar
Que quer florir
E que sobretudo o quer
Ah, querido, te quero
Mas os dilemas são tantos
Os pensamentos se confundem
O amor de um lado
A razão do outro
Querendo coexistir
Fazendo força para não parecerem tão insanos frente um ao outro
Quem dera não fossem tão incompatíveis assim
Como competir com o silêncio?
Acalma e aborrece
Presente na totalidade do dia
Que injusta concorrência
Não fico mais em silêncio
Não gosto dele
Apenas quando tem olhos
Pele com o pelo
A boca que o rompe, cede
Encosta em outra boca
Transmite o melhor silêncio
Só esse me interessa
Apenas o justo silêncio
Quero resolver com você a nossa vida.
Os traços
Os contornos
Que lápis ou pincel vamos usar
Se vai ser um quadro ou um texto
Se vai ser a óleo ou carta
Mas quero acabar com essa angústia
Que sobe do estômago ao coração
Pesa aos olhos
Lava-os
Qualquer música faz sentido e é certeira.
Estive pensando há algum tempo se realmente quero ficar assim. Tem um tempo que não me importo com coisas importantes, nem ligo se é sábado ou sexta. Se quem canta é Caê ou Bethania. Não escuto mais, estou no automático. Sou uma pessoa triste porque fiz uma soma fácil que qualquer um pode fazer. Não há possibilidade de volta. Agora daqui pra frente é seguir o melhor caminho. Era para ser tudo lindo e não é. Chega! não quero mais!
Não quero mais…
Quero admitir que errei o cálculo, a soma não era essa. Fiz uma soma porque levei o principio contábil à risca: “principio da prudência”, que é basicamente colocar mais valor para coisas negativas do que as positivas, a fim de não trazer distorções e falsas percepções. Infelizmente errei.
Quando falei que era triste, não levei em conta a sua coeficiência. Sempre trazemos para si os problemas do imperativo categórico cotidiano burocrático como uma mochila pesada que incomoda; por ser um fardo não nos esquecemos.
Porém há outros fatores que mudam essa soma, e são coisas simples, como aqueles cinemas em lugares incomuns que íamos para ver filmes pouco vistos no Brasil. Ir para uma ilha para transar – no meu caso fazer amor (tom sério). Os teatros que fomos, desde o Tartufo a Baker. Até mesmo aquele que não entrei, mas te levei na porta (Kafka). Todos os sábados que conversamos sobre TUDO, sem exceções. Todas as manhãs que acordamos tarde. Pão de queijo com vinho e batata frita. Gramas. Morros cariocas. Sair para tomar um drink com nome de cantor espanhol e ouvir música boa. Ler livros juntos. Batizar as plantas com nome de gente e misturar com a espécie, uma tentativa pífia de rimar, quase como um “zorra total”. Subir morros e olhar para baixo e depois descer (rs).
E o principal: olhar para o outro, aquele que você quer naquele instante, e ter medo de falar tudo. Achar que está entregando o ouro, deixar ele saber que está feliz, mas não muito para não achar “coisas demais”. Não dizer todas as palavras que saltam o coração. Dormir com toda a segurança de onde vem as batidas do peito. Fazer casa sem teto e parede.
Por isso não quero mais…
Não quero mais ficar sem esse elemento no meu balanço, esse elemento é VOCÊ.
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.” Clarice Lispector
(Texto em carta)