existe um abismo abissal
entre as promessas ouvidas
e o efeito ao ouvi-las
entre a realidade ansiada
e a realidade despida
então eu prefiro
escolher ser sozinha
a ser deixada só
existe um abismo abissal
entre as promessas ouvidas
e o efeito ao ouvi-las
entre a realidade ansiada
e a realidade despida
então eu prefiro
escolher ser sozinha
a ser deixada só
Só existe em filme isso
Só existe em filme isso
Só existe em filme isso
Só existe em filme isso
Só existe em filme isso
Só existe em filme
Só existe em
Só existe
Só
Deixem-me à margem
à margem dos dias reais:
corriqueira dureza diamantada
esculturas de sentimentos sem faces
expressões vocais e visuais sufocadas
gritos mudos
sorumbáticos
Rio estéril de sentidos mortos
varridos todos pela poeira
de barulhentas buzinas
de anúncios de televisão
de aparelhos smartphones
de praças de alimentação
Oh, por favor
dessa realidade
deixem-me à margem
o sol
essa luz toda
ilumina a vida
mas não a revela
enquanto isso
o povo queima
há plantas minhas
que desfolham-se
bem do jeitinho
que eu queria
desfolhar-me
com o céu
em degradê
no plano de fundo
Eu cá com meus botões
E na calçada do 134
O jasmim-árabe
Lá com seus botões
Era bem diferente
quando a felicidade
andava nua pelo meu país
(quando?)
Agora ela foge
me escapa entre os risos
os quase-risos natimortos
me escapa
me escorre
embaça a íris
Deseja nascer arco-íris
Pós chuva de mágoas
Me espera
Me espreita
Me insiste
Me resgata
e as lágrimas
que derramamos por aí?
conseguem irrigar um amor
que quer florir?
Todo dia eu penso em dizer não.
Há certas ações que falam por si
Débil vínculo em luta inútil de estabelecer-se
Guerreiro em frangalhos, farto, fraco e faminto
Gastando a rouquidão em gestos de indiferença e superficialidade
O olhar ingenuamente crédulo
Jura que não vê o óbvio
Desse terreno estéril
Não brota nem uma jura
Nem uma injúria de amor