toma-me de repente o peito uma taquicardia da falta,
a saudade de penetrar em teus abismos
e perceber-me em queda livre para dentro de mim mesma

quando acho que já estou impregnada de poesia,
vem você e transborda a sua beleza ou a sua escuridão,
seus olhos fechados de constelações...
o brilho das estrelas é um passado que reluz nas retinas futuras

temos muito medo e também muita água atrás dos olhos
navegamos no oceano das nossas ideias fragmentadas
sempre com receio de naufragar em ilhas de gerúndios
e nunca chegar,
sem saber ao certo aonde ir,
mas sempre com a ideia de nunca parar em metáforas incomprendidas

morremos um pouco por dia
desde o primeiro mergulho, no ventre de nossas mães
o restante do tempo é só um longo afogamento em terra firme

exceto no próximo hoje ali contigo, lá
onde toda perplexidade é permitida e quiçá compreendida
consegue nos ver? tão lunáticas...
andar daqui até o sol, tirar a pele, lançar às chamas e deixar queimar
hoje pedra, amanhã água
no próximo amanhã depois de depois de amanhã,
consegue nos ver? tão fantásticas...
inteiramente água ou correnteza sem margens

voar e brincar de ser lua no palco espacial iluminado
em experimentações de luz e sombras
a mover, inocentemente, as marés...

Deixe um comentário