Quero a poesia que não.
A música, a sintonia.
Há música? Há sintonia?
Notas ignotas
Vazias de informação e barganha
Onde o colorido do outono
Perdido onde?
Grama fofa de um parque nunca visitado
Pés gélidos de orvalho
Descalços?
Janela descortinada
Quadro sem moldura
Tarde turquesa, trivialidades, amenidades
Moldes?
Brisa sem cheiro
Vento sem vendaval
Descabelado?
Suspiro suprimido, suspenso
Contido, travado
No ar
Lágrima que não nasce
Abortada
Ectópica
Imparida, infértil, indesejada, imóvel
A es-pe-rar
Do verbo mesmo
Não do substantivo.
Sedenta de substância
Que súbito faça quedar
Em nossa prosa infinita
Nas marcas e nos sorrisos
Nas mãos que não se entrelaçam
No despedir-se sem olhar para trás
Na ausência
E
Nos braços daquele
que não me chama pelo nome.
