Longe da culpa, meu corpo dança
Explora a maquinaria que me move
Sustentáculos dos meus passos em fuga
Ascendo às nuvens que me enfeitam
- os cabelos e os pensamentos

Longe da culpa, me exponho
Publico meu corpo completamente nu
Divulgo meus versos desnudos e vadios
Prontos a provar o calor de outros lábios

Longe da culpa, tenho vontade de beijar-te
E sem hesitar e sem vírgulas beijo-te
Não importa o que foi ou o que virá
Importa que tenhamos lábios e que beijem

Longe da culpa, parto sem retorno
Livre do medo de estar só e solta
Em sentido oposto para perder-me de vista
Avisto meus avessos e me seco ao sol

Longe da culpa, caminhos não percorridos
Não criam labirintos em minha cabeça
São apenas becos sem saída de onde escapei
Oportunamente,
Quando já era grande demais para caber

Longe da culpa, não peço desculpas
Não o tempo todo, como uma heroína trágica
Crio um enredo fantástico e vivo
Sou a protagonista de um épico

Longe da culpa, sou inspiradora
Minha história e trajetória são admiráveis
É delicado meu modo de sentir o mundo
Sou escritora e poeta
E minha voz nunca falha ao ler esses versos

Poema construído a partir de exercício de escrita proposto por Ryane Leão, no Laboratório de Narrativas Femininas, realizado pelo Sesc Copacabana RJ.

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