Terminal não termina na palavra.
Um terminal pode ser onde se chega
e de onde se parte à outra parte.
O que importa é que TODOS os bilhetes
são passagens só de ida.
Jamais se volta ao que se era.
Se comemoramos nossos renascimentos,
por que não comemorar nossas mortes?
As pequenas mortes de cada dia
dai-nos hoje e sempre, amém.
(sinal da cruz)
Chega-se a um terminal e, afinal,
é preciso planejar o que fazer ao saltar.
Saltar no desconhecido de nós mesmos,
ávidos por desvendar nossos mistérios.
Aonde nos levam nossas passagens secretas?
Somos castelos de mil portas e mil portais.
Somos casas de muitos caminhos...
Cada dia por viver é uma página em branco,
onde se escreve com traçado ancestral:
Rabiscos dos primeiros chutes no ventre materno,
Garranchos dos primeiros choros,
Desenhos das inúmeras gargalhadas,
Rascunhos dos discursos para o colégio
e dos pedidos de namoro.
À tinta de canetas mágicas, elaboramos respostas
às nossas entrevistas de emprego
e às perguntas tão difíceis
feitas pela própria vida.
Não alcançaremos todas as respostas;
Tampouco faremos todas as perguntas.
Receber uma sentença de morte é um estigma
mas pode ser igualmente um estame,
e novas flores podem vir a compor um jardim.
Ora, dentre as tantas reviravoltas da aventura humana,
cultivar um jardim pode ser nosso último feito:
Uma celebração florida à nossa passagem.
E o perfume de nossa existência
ficaria para sempre na terra.