23 de abril.

De repente, avesso.
Num piscar de olhos o mundo se inverte.
E ainda se é o mesmo. (Ainda?)
Trocaram o cenário com a cena inacabada.
A sensação de deslocamento sufoca.
Esse não é o seu ato.
Essa não é a sua deixa.
Esse não é o seu momento.
Essa não é a sua vida.
Um denso vazio se infiltra com a surpresa.
Perceber tamanho engano é paralisante.
O mundo sempre esteve ao contrário
E você que não reparou?

Contrafluxo

Gosto da voz do pensamento
Que fala e comenta sem som
Direito ao grito contido
Mudo e surdo

Da lágrima que goteja no cérebro
Nas lembranças
Da culpa que lateja e não cura
Dessas desgosto

Não quero voltar, mas volto
E volta e meia me encontro
Para um banho de mágoas
Que me tiram do fluxo

Gosto de me esconder
De ficar sozinha
De desencontrar de mim
Gosto do silêncio