Acordei querendo
Cometer um deslize
Da sua pele na minha…
Há tantos desejos
Ora palpáveis, ora etéreos
A transbordar em grito,
Tremores, abraços, olhares.
Sem planos, só vem!
Todo dia – ou quase –
Vira meu vício.
Acordei querendo
Cometer um deslize
Da sua pele na minha…
Há tantos desejos
Ora palpáveis, ora etéreos
A transbordar em grito,
Tremores, abraços, olhares.
Sem planos, só vem!
Todo dia – ou quase –
Vira meu vício.
Pássaros noturnos são prenúncios
De agradáveis noites de serenidade.
Apenas ouvidos atentos os ouvem
E percebem seus cantos delicados.
O reles passageiro do mundo
Sempre transbordado de inutilidades
E ouvidos ocupados de palavreados
Não nota o lírico som da noite…
Os pássaros sempre lá estarão
A bater ponto na cortina estrelada
Como fiéis mensageiros da paz.
Quando os ouvidos forem coração
A doce presença será incontestada
E nítido será o som que a noite faz.

In-can-sa-vel-men-te tu vens
E o cansaço é imobilizante…
Outrora foste até saudável
Hoje és aflitiva e conflitante.
Agente da penitência
Das mentes exageradas
Criativas, confusas, nocivas.
Tua toxina vem para adoecer
Espanta seguranças frágeis
– que imploram permanência –
O chão faz escorrer
Desfalece toda alegria
Com ensurdecedores sussurros
De questionamentos vãos…
Será que a loucura reside no questionador
E, em verdade, tu, fonte de liberdade,
Só anseia dissipar a escuridão?
Fica a dúvida.
Por um dia o sol de verão foi passear
Deu lugar à tua luz e foi pra outro céu.
No encanto de um firmamento nublado
O frescor e a brisa, teu dia, vieram coroar.
Será nublado o retrato de tua alma
Ou só a consciência prévia do porvir?
Ah, a inconstância dos dias não paridos
Inútil ansiedade que só faz confundir…
Conheço que é de teu agrado este céu.
Desfruta a beleza cantada pelas aves
Prenúncio de um dia de poesia sem véu!
Vive os momentos correntes e doces…
Só não esquece que o amanhã é gerado
No ventre despreocupado do hoje.
Deixa eu te escutar
Mas fala devagar
Tudo que lhe habita
É meu também.
Sua ânsia é gritar [eu sinto]
Mas espera o trem passar
Visita a paz do silêncio
Em lucidez, medita.
Pensa uma a uma
Toda ideia é singular
Dissolve a confusão
E descobre o deleite.

Via Láctea (Olavo Bilac)
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
Esta é a primeira vez que mudo o nome deste site. Pensando sobre o nome anterior (País das Maravilhas), percebi que não era adequado aos conteúdos que posto.
Já pensei em “Pó de Luva” mas era muito específico de uma atividade minha, aí escrevi uma postagem com esse título.
Lendo uma matéria na Revista Galileu, percebi que “Poeira de Estrela” é perfeito porque é o que eu sou, o que tudo e todos são. Sem máscaras. E quando eu venho aqui escrever é pra deixar um pouco de quem eu sou, sem rodeios. É como um Confissionário (mas esse nome eu não achei bom. Hehe).
Aqui está a matéria da revista. É incrível para quem ama ciência. É decepcionante para quem acha que é melhor que qualquer coisa no universo. É pura poesia.
Não sei se viro menina,
Se viro mãe, se viro todas.
Se viro artista, se viro vento
Ou viajante.
Viro santa ou viro doida.
Quem sabe viro onça.
Viro a mesa,
Viro o jogo,
Viro a página,
Viro a vida do avesso
E viro outras.
Sim, eu me viro.
(do livro “Da boca pra dentro”)