Sede de te amar

Esse frio remonta
o abrigo dos teus braços
nas curvas da memória.
Extensos desejos de permanência.
Nosso amor lúcido
existindo serenamente
na calada da noite.
Me abraça de um jeito
como se eu nunca mais
pudesse ir embora?

Desatino

A memória do teu cheiro vem tirar meu sono
me fazer menina de coração palpitante
enrolada em trama fértil de pensamentos:
Devaneios novelísticos, cinematográficos,
Ensaios amorosos que desafiam o tempo,

que desafiam o amor do nosso tempo.
(O amor do nosso tempo: um quase-amor
que transborda em lava e petrifica
antes de queimar no peito.
Nunca chega a ser)

Minha cena é fluida, a melodia não desafina,
tece enredos encantados, fascinante obra.
Porém; nenhuma rubrica de ilusão.
Sabe-se volátil, prestes a sumir.
Desfaz-se ao menor sinal de realidade
Esterelizada na dura certeza do desatino.

Já volto.

Ei, volta aqui!
Tanta coisa pra fazer aqui embaixo.
Essas nuvens aí,
tapete dos teus passos sonhadores,
alucinam teu coração de pássaro.
Olha, eu sei, felicidade é tanta
quando a imaginação é teu céu
– tão vasto céu.
Vontade tresloucada de voar
Eu sei, moça.
Mas, vem, desce aqui um pouquinho.
Depois volta
ou voa.

A-mar

Às vezes me flagro em armadilhas
-pela minha própria mente armadilhadas.
Tão ardilosa!
Bem sabe onde o calo aperta,
sabe bem onde há ferida aberta.
Mergulha deleitosa no mar de dor
onde a rima óbvia se afogou.

Desenha-me uma Saudade

Ver-te num trecho tão breve
fez a saudade, tão inerte quanto imensa
– como neve encobrindo montanhas –
desgelar desabar desmoronar.
Uma avalanche da mais absoluta
e implacável vontade de você.

Aquarela de @patrakovstudio 2018