Esse frio remonta
o abrigo dos teus braços
nas curvas da memória.
Extensos desejos de permanência.
Nosso amor lúcido
existindo serenamente
na calada da noite.
Me abraça de um jeito
como se eu nunca mais
pudesse ir embora?
Ensaio 1
Eu quero o amor
que nem sei.
Nem sei definir,
nem sei sentir.
Nem sei,
só sei que quero.
Desatino
A memória do teu cheiro vem tirar meu sono
me fazer menina de coração palpitante
enrolada em trama fértil de pensamentos:
Devaneios novelísticos, cinematográficos,
Ensaios amorosos que desafiam o tempo,
que desafiam o amor do nosso tempo.
(O amor do nosso tempo: um quase-amor
que transborda em lava e petrifica
antes de queimar no peito.
Nunca chega a ser)
Minha cena é fluida, a melodia não desafina,
tece enredos encantados, fascinante obra.
Porém; nenhuma rubrica de ilusão.
Sabe-se volátil, prestes a sumir.
Desfaz-se ao menor sinal de realidade
Esterelizada na dura certeza do desatino.
Já volto.
Ei, volta aqui!
Tanta coisa pra fazer aqui embaixo.
Essas nuvens aí,
tapete dos teus passos sonhadores,
alucinam teu coração de pássaro.
Olha, eu sei, felicidade é tanta
quando a imaginação é teu céu
– tão vasto céu.
Vontade tresloucada de voar
Eu sei, moça.
Mas, vem, desce aqui um pouquinho.
Depois volta
ou voa.
Cardiodureza
Intensidade
sem posse:
Custa muito?
Doar-se,
deixar alguém entrar
nessa cardiodureza.
Se acessar em presença do outro
E experimentar ser.
Custa muito?
Deixa ser
Daqui a pouco vou,
faço um café
e as coisas vão se ajeitando.
Sem mas.
Amar é fácil
Depois de se livrar
dos poréns.
A-mar
Às vezes me flagro em armadilhas
-pela minha própria mente armadilhadas.
Tão ardilosa!
Bem sabe onde o calo aperta,
sabe bem onde há ferida aberta.
Mergulha deleitosa no mar de dor
onde a rima óbvia se afogou.
Desenha-me uma Saudade
Hey, Baby
Nem te chamo pelo nome,
mas já és o mais presente na minha vida.
Silêncio que fala amor.
Às vezes grita.
