O céu me assalta
o olhar, os sonhos, a vida
Fly me to the moon
Há penas em uma separação:
A demolição de toda uma casa.
Um grande cais destruído pelo sal.
O desaparecimento de um idioma.
A desterritorialização de um país.
Um planeta inteiro a desabitar-se.
Apenas em uma separação.
É mais triste
Quando o amor
Ainda existe
Eu ando, ando e ando
E todos os caminhos
São estradas de regresso
Ao teu peito, ao meu lar
Tanta coisa que eu nem sei
Eu nem sei que tanta coisa
Que eu tanta coisa nem sei
Tanta coisa, que eu nem sei
Coisa tanta que nem eu sei
Nem eu sei que coisa tanta
Sei eu que nem tanta coisa
Que nem coisa tanta sei eu
encantada a mirar um céu
que entre o cinza e o azul
já foi do vermelho ao violeta
no arco cromático da deusa
Íris, brinde-nos com boas novas
nessa era de sombra e cegueira
(e aproveitando
retire bolsonaro
das nossas vistas)
é lá que minha saudade bate
deita no teu tapete, late na tua porta
pousa na tua varanda, na tua janela
sopra forte de bailar com as cortinas
rouba o quente de um roçar na tua pele
ah... minha saudade
quer abalar os teus sentidos
te tirar do prumo, do eixo, do mundo
desviar teu olhar do repetível diário
colher teu sorriso - meu prazer lascivo
tua atenção repousada em meus olhos
quando mando a saudade buscar-te
é tudo que quero,
e espero
No verso da noite
acende as estrelas
e vem deitar
em meu leito espacial
vem visitar os sonhos
os desejos secretos
guardados na noite
das almas apaixonadas
cultive memórias
regue-as e ao colhe-las
cuide para nunca
arrancar pela raiz
- bem lembrado -
de repente
as borboletas no estômago
viram frio na barriga