Há penas em uma separação:
A demolição de toda uma casa.
Um grande cais destruído pelo sal.
O desaparecimento de um idioma.
A desterritorialização de um país.
Um planeta inteiro a desabitar-se.
Apenas em uma separação.
Tanta coisa que eu nem sei
Eu nem sei que tanta coisa
Que eu tanta coisa nem sei
Tanta coisa, que eu nem sei
Coisa tanta que nem eu sei
Nem eu sei que coisa tanta
Sei eu que nem tanta coisa
Que nem coisa tanta sei eu
encantada a mirar um céu
que entre o cinza e o azul
já foi do vermelho ao violeta
no arco cromático da deusa
Íris, brinde-nos com boas novas
nessa era de sombra e cegueira

(e aproveitando
retire bolsonaro
das nossas vistas)
é lá que minha saudade bate
deita no teu tapete, late na tua porta
pousa na tua varanda, na tua janela
sopra forte de bailar com as cortinas
rouba o quente de um roçar na tua pele

ah... minha saudade
quer abalar os teus sentidos
te tirar do prumo, do eixo, do mundo
desviar teu olhar do repetível diário
colher teu sorriso - meu prazer lascivo

tua atenção repousada em meus olhos
quando mando a saudade buscar-te
é tudo que quero,
e espero