Antes de abrir os olhos,
sentia o crepitar granulado das areias
descoloridas dos teus olhos verde-ausências.
Ver-te já não era mais uma opção sensorial.
Explícita e incansável, visitei a folia das memórias
na ânsia de estar abrigada em tuas retinas;
sem cordas e blocos, sem sirenes e hospitais entre nós.
Era a forma mais palpável de tê-lo:
Fechar os olhos e tocar a tela das lembranças.
Carrego o peso de um corpo que inteiro
é capaz de recordar-te;
cada parte com seu jeito único e visceral de sentir.
Minha existência-colônia lançando areias
sobre os teus automóveis de Roma.
Tua existência-metrópole nem chega a me ver.
Cintilam areias consteladas numa noite qualquer
tal qual lágrimas suspensas e inertes
no deserto de dias que se somam ao silêncio.
Novamente viro a ampulheta
e o tempo nos escorre.