No meio do sonho tinha uma barata
E outra e outra e mais outra
Um sem fim de baratas saindo de baixo da cama
A sola do meu chinelo esmagando uma a uma
Eu sei, é uma imagem feia essa que te entrego
Eu quero te prometer que vai acabar bem
Elas vinham todas para a morte
E mesmo com um montinho de cadáveres expostos,
Não hesitavam em abandonar seu esconderijo e correr para a temporária liberdade
As baratas viviam sem nunca tomar coragem
Pois já eram tomadas de uma coragem que lhes era inerente
De repente uma veio bailando com o ar cruzando meu caminho
Tudo que voa é lindo
Mas o pouso me ogeriza e repulsa

Eu não sei acordar dos sonhos
Tampouco os sonhos sabem acordar de mim
Eles me sonham em um grande e confuso cenário
E se con-fundem com a minha realidade
Só me sinto salva na distração, no intervalo
Quando não penso naquilo que sou obrigada a pensar
Importa-me mais o que não esqueço
E se depois me lembro, é lá nesse depois que a lembrança importa
A memória é muito sábia, mas em excesso adoece
Lembrei que te entreguei o sonho da barata e não me retratei como devia
Será que as baratas sonham que os humanos são uma praga?
Será que baratas sonham?
Qual será o sonho da barata?
Espero que essas perguntas te confortem

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