A minha palavra quer encostar na sua
Ela quer parir vocábulos, reproduzir-se
Colar um trem de letras uma após a outra
Enganchar como elos de uma corrente
Esticar, elongar, multiplicar o léxico
Polimerizar as sílabas, neologizar
Unir tudo com alguma goma de semântica
Para fazer sentido
Para fazer sentir-se
Então tocar a sua palavra distraída, lépida
Deitada em uma nuvem, estirada ao sol
Uma palavra de óculos escuros e chapéu
Com sardas nas maçãs e cheiro de jasmim
De vestido esvoaçante e descalça
E convidá-la para prosear