Pedi a separação de um casamento de 9 anos havia 3 meses. No fim de uma ligação telefônica com meu ex-esposo, perguntei como estavam as coisas com a moça que ele estava saindo, “parece até que já vem casamento”, brinquei. Ele respondeu que casar ainda não, com ênfase no ainda, mas disse que já a amava muito e que não sabia que era possível amar tanto alguém. Ponto.
Parágrafo. Papo vai, papo vem, numa conversa com um namorado sobre mulheres que ficam com certos jogadores de futebol ou certos artistas por aí, ouvi “claro que é por interesse”, ênfase no claro. Ouvi também que eu estava me iludindo pensando que não era. E olha que eu nem estava pensando que não era, só questionei por que temos sempre que pensar que é. E outra, se for, e daí? Esse namorado relatou que sabia o que estava falando, porque, veja bem, se uma loiraça daquelas chegasse nele, ele já desconfiaria, afinal, sabia da própria aparência e o que podia alcançar com ela. Lembrando que era comigo que ele estava falando. A namorada. Ponto.
Parágrafo. Uma vez um cara que eu saí, aliás, só transei, questionou por que eu não o procurei o fim de semana todo. Sabendo que não existe maneira fácil de dizer isso, educadamente coloquei que foi uma troca legal (aqui eu menti, ok), mas eu não o procurei porque não tive muita vontade e achava que poderíamos ficar somente com aquela experiência na memória. Ele respondeu algumas palavras curtas, mas os culhões não se aguentaram dentro das calças e, antes de me bloquear no whatsapp, mandou: “obrigado pela foda gratuita”. Ponto.
Parágrafo. O ano é 2005 ou 2006. Estávamos em um rodízio regado de pizzas ruins e calças boca-de-sino. Gosto de pensar que hoje não tenho vontade nenhuma de me aventurar em um rodízio, salvo os de comida japonesa. Um dos amigos do grupo (naquele dia éramos muitos, 10 ou mais) havia falado, algum tempo antes, com alguns outros amigos do grupo, algo sobre mim que não teve coragem de admitir, e por isso, jurou que não tinha dito. Não lembro como o assunto emergiu no meio da gordura do queijo, por entre as ervilhas e as azeitonas. Fato é que meu namorado à época não podia passar de mentiroso e ele mesmo reproduziu o que o tal amigo havia dito, seguido de um (orgulhoso de ter razão) “vai dizer que não foi isso que você me disse!?”. A mesa cheia. Ele disse: “sua namorada é feia de doer o cú”. Ponto.
Parágrafo. Por inúmeras vezes, um primo próximo do meu ex-esposo não podia deixar passar uma única oportunidade de dizer o quanto ele me achava feia. A cruel criatividade trazia sempre termos diferenciados para o mesmo tema. Minha péssima memória até me foi útil nesse ponto. Só sei que aconteceu várias vezes, mas não lembro as expressões utilizadas. Quer dizer, fora os clássicos “mas tu sabe que é feia pra caraca né” ou “eu sei que meu primo é feio, mas você…”. Ponto.
Parágrafo. Já ouvi uma vez de um namorado, quando apresentei algumas reações com questões que me incomodavam, que era só um comportamento “típico de mulher insegura”. Ponto.
Parágrafo. O que mais me entristece é perceber que esse texto pode nunca ter fim. Ponto.
Parágrafo.