Se a gente não se vir nunca mais
tudo bem. Tudo bem
se a gente não se vir nunca mais.
O nunca-mais é bicho calado,
é o nada mais denso, à espreita,
dono de uma certeza agudíssima.
O nunca-mais é o abraço gelado
do não-ser,
do quem-sabe,
do não-era-pra-ser.
O tempo se desfaz em nunca
O tempo já não é mais
O nunca-mais engole o tempo
e rumina o podia-ter-sido.
O nunca-mais é um oceano
de frustrações.
O nunca-mais
é um eterno
devir.