Levanto-me no fim do dia
sacudindo a coluna de poeira
que me soterra as pálpebras

Percorro o deserto da ausência
buscando palavras-leito
nas palavras-tantas do mundo

Prolixas de elos
Elos-prisões

Profusão de infinitos meios
de não suplantar a superfície

Deixar-se vestir e sumir
com o traje da rotina;
Fazer dele uma identidade

É adoecer de pretéritos imperfeitos

O tempo do havia, do iria, do amaria
nunca se conjuga no presente
Nunca chega a ser

E eu,
eu preciso
Ser

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