Ela foi minha pequena eternidade
meu conto de fadas, meu oásis.
Ensaio de amor perfeito,
enquanto eu nada oferecia
além de narcísico querer.
Por vezes ainda me pego aquém
do que eu era dentro dos seus olhos.
Minha melhor versão nasceu e morreu
abrigada em seus devaneios.
Ainda não versava muito:
Com ela, eu própria poesia.
Descobri talento para o canto
em seus ouvidos sempre tão gentis.
Seus olhos, seus lábios, suas mãos...
Tudo nela era presença, como o Sol
que aquece mesmo sem ser visto.
As voltas e revoltas de seus cabelos
onde eu, mimada, me aninhava
emolduravam um belo e farto sorriso,
e um brilho perene no olhar
sobretudo quando acarinhava o meu.
Sua voz ainda ecoa em meus pensamentos
como trilha sonora nostálgica
de uma história que a brisa levou.
Quem me dera um dia passear por aí
e esbarrar em um afeto tão idílico
quanto ELA.