Como pode não gostar
de azul
Azul a cor da imensidão
Azul o céu que invade-me
Todas as manhãs
Todas as manhãs
não são mais as mesmas
Já não acordo bonita
de olhos misteriosos e asiáticos
Pesam-me olheiras opacas
Não de noites mal dormidas
Sim de dias mal vividos
Nas pálpebras envergadas
carrego o instante-quase
o ponto de inflexão
entre o que sou
e o que poderia ter sido
São sete horas da manhã
Não vejo o Cristo da janela
O azul é pesado
E desaba sobre mim