Todas as manhãs eles vêm cantar para mim
Parece um privilégio estranho. Inacreditável, eu sei
mas é verdade. É para mim que cantam
Todas as manhãs
Em canções tecem as primeiras notas do meu dia
Sopram e dançam os presságios mais aquarelados
povoados das mais gentis nuances de um dia memorável
Um espetáculo particular só para me desejar bonjour
Sempre assíduos. Nunca faltam, nunca
Certos dias meus ouvidos não lhes dão plateia
A intranquilidade me embota e me azulece
Perco-me em sinuosos porões mentais
Veja só, enredos tão atraentes quanto inúteis
Rolos de frases emaranhadas em preocupações
Um labirinto de matéria prima de coisa nenhuma
De lá só saio quando percebo que perdi
Perdi a sinfonia matinal bailando só para mim
Meu termômetro de serenidade
Todas as manhãs