metade de mim é silêncio
silêncio de morte
a outra metade é espera
e desesperança
os risos soltos presos
no cárcere da culpa
mar de lágrimas berrantes
e silêncios emudecedores
não há alegria que se sustente
nem ânimo que se sinta justo
nenhum orgulho poético
grãos finos de chuva
garoando do lado de dentro
nenhuma alma lavada
antes lama acumulada
no pântano da tristeza
incontáveis rainhas a se coroar
inúmeros planos sonhados
mas agora inês é morta
sônia é morta, cristina é morta
maria é morta, paulo é morto
valdeci é morto, carlos é morto
é morta, é morto, é morte
quatro mil quatrocentos mil
que as máscaras sirvam
ao menos para cobrir as faces
da vergonha