Deixem-me à margem
à margem dos dias reais:
corriqueira dureza diamantada
esculturas de sentimentos sem faces
expressões vocais e visuais sufocadas
gritos mudos
sorumbáticos
Rio estéril de sentidos mortos
varridos todos pela poeira
de barulhentas buzinas
de anúncios de televisão
de aparelhos smartphones
de praças de alimentação
Oh, por favor
dessa realidade
deixem-me à margem