Mixórdia urbana
Tudo muito confuso.
Imersa num calor delirante,
eu só queria uma água.
Minha sede de garganta seca
Versus tua sede de nó na garganta
Eu sem dinheiro em espécie
Versus teu dinheiro-espécie em extinção
Minha perplexidade congelada na retina
Frente tua fala generosa:
“não passa cartão, mas vende fiado”
Seis verbetes revolucionariamente unidos, !
Tua confiança de que eu voltaria
tão certa quanto tua escassez de perspectiva:
“depois você me paga”
Um depois do tamanho da tua vida camelódica
e eu quero é que esse canto torto, feito faca,
corte a carne de vocês
A consciência ferida aqui ainda é sangrante
Sangue vivo escarlate escorrendo espraiado
até a morte, mas não a minha, a tua.
Tua vida gritada de severinilidade
Versus a minha privilegiada vida.
Tonalidades e tons teimosos
desta tua-nossa Central do Brasil.

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