Apaixonados não é a palavra.
Talvez ainda. Talvez nunca.
Passeiam almas num trecho de vida.
(Quer-se algo?)(Há algo a se querer?)
(Se é que se quer) O que se quer não se diz:
Nomear pode petrificar, encarcerar na palavra,
esterilizar.
O cerebelo à espreita para tornar tudo
maquinalmente vivível.
Dar forma pode calar para sempre o que
podia ter sido.
Opressivo é a palavra?
O carcereiro canta como sereia:
Carcereia, Carsereia.
Um passo pro cárcere, um passo pro fim.
Passam pássaros.
Seus cantos-bolhas rompem-se em música
num auxílio de garganta seca
aos pensamentos que não aprenderam a silenciar.
Ah, confesso, acuso, delato:
Há um grito contido aqui!
aquietado pela sensatez tão matrona, tão
cúmplice do ego e da maturidade.
E está errada? não está.
O grito é pueril, nada sabe do difícil
ofício viver.
Melhor que brinque de ser só aqui dentro.
Lá fora seria inconvenientemente emocionado.
Mas fica por aqui, não deixa tua casa,
meu filho-grito:
Pro peito não achar que é Só
só uma caixa de bulhas.
Pra saber que ainda tem pulso.
Deixa teu ensaio arrítmico
no gatilho do potencial de ação.
Só pra eu não pensar que morri.
Se eu chorasse seria mais fácil?
Sinto falta de chorar.
Ah, sinto muito.