Todas as palavras ditas e não ditas
estão presentes entre nós
disponíveis como numa imensa vitrine:
Nomes próprios, apelidos, vocativos,
sentimentos dos mais variados,
grandes, pequenos, médios, fortes, fracos.
Todos lá esperando cumprirem suas funções.
Funções puramente linguísticas.

Mas nós vamos além.
Nossa comunicação (posso dizer?) é transcendental.
Está no silêncio,
nos já conhecidos detalhes,
nas mãos que se acariciam e tão facilmente se entrelaçam,
nos sorrisos apaixonados que o brilho nos olhos já entrega,
na tácita certeza das potencialidades sentimentais.

A comunicação nasceu antes das palavras
e nesse aspecto somos conservadores.
Num mundo onde a semântica do vasto léxico
pode ser uma prisão,
nossa liberdade é incalculável.
Que sensação incrível!
Nunca havia experimentado ser livre dessa forma.
Liberdade através do silêncio.
Do silêncio mais repleto de significado que pode existir.

Ilustração de Alba Sáenz/ 2019 – @ilustralba

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