Já não sinto o coração livre
Contudo, mais leve ele se encontra
Preenchido de elementos etéreos:
Sim, sentimentos.
Pasmem, sentimentos.
Venham todos porque aqui há,
há Sentimentos!
Janelas e portas abertas:
Luz do sol entrando tímida
Mapeando frestas, cantos, quinas.
O frescor da manhã preenchendo tudo
Nesse coração-casa
Outrora fechado sem data de reabertura.
A propriedade foi invadida
Calmamente; Serenamente.
Brisa mansa, novos ares, outros ventos:
Invadida de beleza,
Colonizada de afeto.
Um cenário de aparência onírica:
Dois seres fantásticos se encontraram
Disseram sim um ao outro
Como para o nascimento da vida
no começo do mundo: a hora da estrela.
Disseram sim e, desde então,
tudo parece certo!
Perfeitamente construído.
Construindo-se.
A razão parece não concordar
Mas perde deliberadamente, pois
O ato é grandioso, é maior do que se pensa
Nem os atores-autores sabem o tamanho da cena
Apenas vivem a poesia
Obedecendo a comandos invisíveis
Sem ciência de roteiros
Lépidos, leves…
E perdidos no olhar um do outro.
Apaixonados?
Já não sinto o coração livre.
