Fala comigo só com poesia…
Esquece o vil significado das palavras,
embaralha a semântica do léxico,
preenche todos os sentidos com o lírico.
As palavras:
Faz elas bailarem para mim, só pra mim.
Põe elas na ponta da língua, do lápis, dos dedos.
Sopra teu encanto ao pé dos meus ouvidos,
me olha com esses olhos de incredulidade;
Bagunça meu cabelo e diz que estou linda,
linda, linda, linda…
Abraça esse corpo que te quer.
Que te quer bem, que te quer logo.
Aquele abraço-oásis.
Forte, encaixado, na medida do desejo.
E só, só nosso.
Vem, me deixa encabulada com o silêncio,
diz que viu o horizonte em meus olhos.
Claro que eu vi!
Eu vi o brilho transbordando nos seus
enquanto fitava os meus.
Me tira do prumo,
Me faz extravasar nessa escrita errática
qual criança experimentando as pernas,
atropelada pela vontade de você.
É muito coração pra dar.
Me leva nas suas palavras,
Nas suas cartas,
Na sua estação de trem,
Na viagem pra qualquer lugar,
Na fotografia instantânea da memória:
cortina estrelada, lua crescente,
palmeiras em novos ângulos,
areia gelada, som de mar à noite,
brisa noturna, beijos quentes,
Me leva.
Me leva pra outro tempo,
Outro século, outra época…
Só me tire de onde não há você,
Onde a ideia insiste no papel de projeção
Me mostra a tua concretude –
– ainda que efêmera.
O que deseja?
Só uns minutos meus? Te dou.
Uma hora minha? Te dou.
Um dia inteiro meu? Te dou.
Uma vida? Te dou.
Ainda deseja? Te dou.
Mas não esquece,
Fala comigo só com poesia.
